Quando acordei nesse dia de 1 de Maio de 1994, ás 6:00 de manhã não imaginava que esse seria um dos piores dias enquanto Comissário de pista da ACDME no Autódromo do Estoril.
Já alguns anos antes tinha assistido no meu primeiro dia de Comissário, logo no primeiro dia, á morte de um dos meus colegas Comissário de pista provocado pelo despiste de um carro.Esse ano de 1987 já estava mais ou menos esquecido, e durante esses anos tenho participado naquele que é ainda hoje o meu desporto favorito.
Mas nesse dia de 1º de maio de 1994 após o almoço tomado na pista durante um dos intervalos da s provas, liguei a tv portátil que tinha levado e junto com os meus colegas do posto de comissários nº 6, na curva três assistimos á partida do GP de S. Marino no circuito de Imola.
Não vale a pena falar dos incidentes com o nosso Pedro Lamy nem com o de Roland Ratzenbergher que morrera na véspera, tão pouco com o de Ayrton, apenas vale o que sentimos ao ver o Williams embater no muro de betão.
Quando o Williams parou e Ayrton deixou descair a cabeça para o lado, todos nós , cinco comissários do Posto seis, percebemos que a Formula Um tinha perdido aquele que foi um dos maiores nomes deste desporto."Não, só está desmaiado, vai ficar bem", dissemos uns para os outros no desejo profundo que a morte não o tivesse vencido.
Tão rápido como o embate, por todo o autódromo a noticia correu célere, Ayrton teve um acidente grave e não respira. Pouco depois o nosso director de prova dava a noticia oficial, Ayrton Senna morreu.
Mas "The show must go on", e as restantes provas do dia tiveram lugar. Os vencedores não comemoraram nenhuma das vitórias do dia, e no final todos os comissário pilotos e demais, reuniram-se junto das boxes, até os que não eram seus admiradores, por serem fans de outros pilotos e em silencio homenagearam Ayrton Senna da Silva o Piloto que seria não fora a sua morte o maior piloto de Formula 1 da História.
Assisti em directo ao seu funeral chorei a sua morte como piloto e como homem que tive o privilégio de conhecer pessoalmente pois nunca se escusou nos dias de Grande Prémio de Portugal em conviver connosco, comissários de pista.
A ultima vez que o vi em pessoa ainda vivo,no final do GP de Portugal de 1993, tirámos fotos juntos e, ironia das ironias, o rolo fotográfico, desgraçadamente estragou-se. Não faz mal para o ano tiro outras. Não tirei.
Fica a memória dessa tarde de domingo de 1993 de o ver acenar ao volante do seu Honda NSX vermelho dizendo: Até para o Ano!
Resta dizer: ATÉ SEMPRE!!!